Há uma frase que insiste em regressar sempre que observo o mundo à minha volta: não quero ser diferente, só não quero ser igual. Não é um manifesto de rebeldia, nem uma bandeira de excentricidade. É apenas o reconhecimento de que, num tempo em que todos procuram destacar‑se, o verdadeiro gesto de liberdade pode ser simplesmente não seguir a corrente.
Vivemos numa era em que a identidade se tornou quase um uniforme. Há estilos que se repetem, opiniões que se copiam, tendências que se imitam. E, curiosamente, aquilo que antes era visto como ousado — como não ter tatuagens — tornou‑se quase raro. Hoje, quem não tem tinta na pele é frequentemente percebido como alguém que ficou fora da festa, como se a ausência de tatuagens fosse uma espécie de silêncio num mundo que exige ruído.
Mas talvez seja precisamente aí que reside a beleza: na escolha consciente de não acrescentar mais um símbolo só porque todos o fazem. Não é sobre ser contra tatuagens; é sobre não transformar o corpo numa obrigação estética. É sobre permitir que a pele seja apenas pele, sem que isso represente falta de coragem, de história ou de profundidade.
A verdade é que cada pessoa procura o seu modo de existir. Uns escrevem na pele, outros escrevem no tempo. Uns marcam o corpo, outros marcam a presença. E nenhum caminho é superior ao outro. O que importa é que seja escolhido — não herdado, não copiado, não imposto.
No fim, talvez a frase inicial ganhe outro sentido: não quero ser diferente para chamar atenção, nem igual para caber no molde. Quero ser apenas eu, com a liberdade de decidir o que fica, o que não fica e o que nunca precisou de ser mostrado para existir.
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