Há uma delicadeza no mundo que quase sempre passa despercebida. A abelha pousa na flor sem pedir licença. O golfinho atravessa o mar como quem dança. E ambos parecem saber algo que nós, humanos, esquecemos: a felicidade não é um destino — é uma forma de existir. Jacques Cousteau, esse poeta dos oceanos, lembrava-nos disso. Para ele, cada criatura carregava uma sabedoria silenciosa. A abelha cumpre o seu voo. O golfinho cumpre o seu salto. Nenhum deles questiona se é suficiente. Eles simplesmente são. E talvez seja essa a lição mais profunda: a vida não pede explicações — pede presença. Cousteau dizia que o homem precisa descobrir isso… e maravilhar-se com isso. Maravilhar-se: essa palavra que perdemos no meio das urgências, dos prazos, das notificações, das expectativas. O espanto é o primeiro passo da consciência. É o que faz uma criança olhar para o céu e perguntar “porquê?”. É o que faz um adulto, já cansad...
Há uma frase que insiste em regressar sempre que observo o mundo à minha volta: não quero ser diferente, só não quero ser igual. Não é um manifesto de rebeldia, nem uma bandeira de excentricidade. É apenas o reconhecimento de que, num tempo em que todos procuram destacar‑se, o verdadeiro gesto de liberdade pode ser simplesmente não seguir a corrente. Vivemos numa era em que a identidade se tornou quase um uniforme. Há estilos que se repetem, opiniões que se copiam, tendências que se imitam. E, curiosamente, aquilo que antes era visto como ousado — como não ter tatuagens — tornou‑se quase raro. Hoje, quem não tem tinta na pele é frequentemente percebido como alguém que ficou fora da festa, como se a ausência de tatuagens fosse uma espécie de silêncio num mundo que exige ruído. Mas talvez seja precisamente aí que reside a beleza: na escolha consciente de não acrescentar mais um símbolo só porque todos o fazem. Não é sobre ser contra tatuagens; é sobre não transform...